[Global Solutions Summit 2026 - Berlim] MPower Brasil destaca a importância da liderança feminina na transição energética

Nos dias 1 e 2 de junho, a MPower Brasil participou do Global Solutions Summit 2026 (GSS2026), realizado no centro de convenções Axica, na Pariser Platz, em Berlim. Sob o tema "Finding Common Ground in a Fractured World" ("Encontrar terreno comum em um mundo fragmentado"), o encontro reuniu lideranças políticas, pesquisadores, organizações da sociedade civil e do setor privado de dezenas de países para debater os caminhos da cooperação global em meio a um cenário geopolítico tensionado.

Levamos para esse espaço uma convicção que orienta nosso trabalho: não existe transição energética justa sem investir nas pessoas que vão conduzi-la, em especial nas mulheres.

Global Solutions Summit 2026 em Berlim

Diálogo com o Ministro Carsten Schneider

O ponto alto da nossa participação foi um diálogo em grupo, voltado a jovens empreendedores sociais, com o ministro alemão do Meio Ambiente, Ação Climática, Conservação da Natureza e Segurança Nuclear, Carsten Schneider.

Uma das pautas centrais da conversa foi como países como a Alemanha podem apoiar o Sul Global a desenvolver capacidade própria para avançar na transição. Não apenas transferindo tecnologia, mas criando as condições para que ela seja absorvida e sustentada localmente. O ministro destacou que iniciativas de cooperação só prosperam quando existem marcos regulatórios, demanda e capacidade instalada nos países parceiros.

Foi nesse contexto que reforçamos nossa defesa: a capacitação de talentos é a base de qualquer transição bem-sucedida. Sem qualificar e ampliar a presença de mulheres em posições de liderança, a transição energética corre o risco de aprofundar desigualdades em vez de superá-las. Por isso, defendemos que o desenvolvimento de talentos femininos deixe de ser tratado como um "complemento social" e passe a ser reconhecido como um pilar central da agenda climática.

Os principais insights do evento

1. Fechar o "gap de entrega": da ambição global à ação local

Um dos painéis mais alinhados à nossa missão discutiu o "delivery gap", ou seja, a distância entre a ambição global e a implementação no território. Ingrid Hoven, diretora-geral da GIZ, lembrou que cerca de um terço das necessidades de mitigação e adaptação precisa ser mobilizado no nível local e municipal, mas que governos e comunidades locais frequentemente esbarram na falta de acesso ao financiamento climático.

Fati N'Zi-Hassane, diretora da Oxfam para a África, foi direta ao apontar que os sistemas de financiamento climático muitas vezes são excludentes — barreiras de idioma, exigências técnicas de "bancabilidade" e burocracia deixam de fora justamente quem está na linha de frente. Ela destacou que mulheres enfrentam obstáculos adicionais de acesso à terra, crédito e liderança, e defendeu mais doações e financiamento flexível, em vez de instrumentos que ampliem o endividamento das comunidades.

Pela Fundação Rockefeller, Deepali Khanna chamou a atenção para o "déficit de confiança": comunidades ouvem promessas, mas não veem a entrega. A saída, segundo ela, passa por colocar as vozes locais no centro e conectar a ação local aos marcos globais.

2. Segurança econômica versus cooperação global

Outro debate central girou em torno da tensão entre segurança econômica (reshoring, autonomia estratégica) e cooperação internacional. A mensagem-síntese foi clara: "não há segurança econômica sem cooperação". Os painelistas alertaram que o nacionalismo econômico pode ser contraproducente e defenderam o fortalecimento de cadeias de valor regionais e da capacidade de processamento de minerais críticos nos países produtores — tema de enorme relevância para o Brasil e a América Latina.

3. Repensar o caminho para os ODS

No painel sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, a brasileira Izabella Teixeira, ex-ministra do Meio Ambiente e Senior Fellow do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI), defendeu uma "nova percepção política sobre sustentabilidade", destacando o papel da cooperação bilateral e regional e o potencial do acordo Mercosul–União Europeia como canal robusto entre o Brasil e a Europa. Ela enfatizou que o G20 segue como núcleo capaz de conectar clima, financiamento e desenvolvimento.

O economista Amar Bhattacharya (Brookings Institution) propôs uma abordagem "liderada pelo investimento", lembrando que cerca de 60% das oportunidades de investimento das próximas duas décadas estão no mundo em desenvolvimento, e que a próxima geração — 1,8 bilhão de pessoas, toda no Sul Global — representa uma oportunidade, não um fardo. Já Sébastien Treyer (IDDRI) alertou para o risco de abordagens setoriais fragmentadas que enfraqueçam o protagonismo dos países sobre suas próprias estratégias de desenvolvimento.

4. Precificação de carbono não basta

Um painel dedicado ao desenho de políticas climáticas mostrou que a precificação de carbono, sozinha, não é suficiente para a ação climática de que precisamos. A pesquisadora Isabella Wedl (Institute for European Environmental Policy - IEEP) defendeu o "sequenciamento de políticas": antes de taxar, é preciso criar alternativas acessíveis e infraestrutura. Jean Pisani-Ferry trouxe a lição francesa dos "coletes amarelos", quando a alta dos combustíveis levou ao congelamento da precificação de carbono, e a deputada Franziska Brantner (Aliança 90/Os Verdes) lembrou que qualquer caminho (preço, regulação ou subsídio) precisa ser, acima de tudo, acessível e viável para as famílias mais pobres.

Uma voz brasileira no debate global

O encontro contou ainda com nomes como o ex-chanceler alemão Olaf Scholz, que abriu o segundo dia falando sobre a força das soluções compartilhadas e a importância do multilateralismo. Estar ao lado dessas vozes reforçou nossa convicção de que o Brasil e as mulheres brasileiras têm muito a contribuir para a transição energética global.

A MPower Brasil volta de Berlim ainda mais firme em sua missão: garantir que a requalificação, a capacitação e a ascensão das mulheres à liderança sejam tratadas como peças centrais de uma transição energética justa e efetiva.

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